domingo, 20 de março de 2011

Da calmaria de amar

A calmaria no coração causa estranhamento. Há tempos o coração estava bem, bem de verdade, bem no seu íntimo. Não que não houvesse amor, havia sim, mas estava longe e era tão sincero e simples.

Ela não estava acostumada à essa simplicidade e leveza de amar. Há anos alguns amores lhe pesavam o coração e a mente. Agora não, o amor lhe era sentindo no coração como primeiro raio de sol das manhãs de outono, como aquela brisa gelada do cair da tarde, como primeiro botão de rosa na primavera, como colo de quem se ama.

Agora, ela vivia a cantar com um sorriso grande no rosto como se nada a chateasse. Chateava, claro. Não tinha cheiros nem toques por perto e ela queria acordar e dormir com o cheiro dele, mas não se desesperava. Estava cheia de paciência para esperar o quanto fosse sem dores no peito por isso.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Passado

De tanto apegar-se no passado, ela não conseguia viver o presente. Não sabia o que era o presente, não tinha um presente. Só sabia de amores do passado e das lembranças mais vivas que as labaredas de fogo que esses amores tinham.

Vivia sonhando pelos cantos, com sorriso bobo no canto da boca, com cara-de-outro-mundo. Quase não reclamava de não ter um amor neste tempo, provavelmente a coitadinha - tão perdida em sonhos vãos - não havia notado tamanha solidão em que se encontrava.

Solidão de dar dó a quem a via pela janela do quarto com pingos da chuva no rosto. Passava horas ali não sabe-se fazendo o que, mas sempre só. E na rua, era assim que a viam também. Era só, sempre. Esta era a sua condição.

Quis se libertar do passado certa vez. Chorou, fez rebelião na rua, prometeu esquecer o passado - mesmo aquelas lembranças mais doce que ela tanto amava -, prometeu arrumar um novo amor, falou em colocar aliança no dedo, fez birra, aguentou forte, tentou, apaixonou-se, comparou o presente com o passado, fraquejou, tentou arrumar forças, não conseguiu, largou a paixão de lado, voltou-se para o seu passado.

Deve ser sina, deve ser maldição, deve ser desesperador passar os dias na pele dela.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Primeiro dia

É o primeiro dia. Primeiro dia das mesmas sensações. Primeiro dia da mesma desesperança. Primeiro dia do mesmo sonho eterno. Primeiro de todos os dias que não veio me ver. Primeiro dia de um novo ano com o mesmo desamor.

Desamor porque não está perto. Desamor porque não ama mais. Ou ama, mas não tem coragem. Mas mente falando pra mim, adorela, você também ama mas não tem coragem.

Feliz ano novo! Brinde ao meu ex-eterno-amor-desamado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vazio

Primeiro veio o vazio. Se instalou ali quietinho naquela órgão que as pessoas quase não usam.  E foi crescendo, alimentando-se daquelas lembranças sem fundamento e do presente sem ter do que. E cresceu todo manso, sem parecer atrapalhar na vida dela.

Mas ele era o vazio e como era de se esperar, tornou-se insustentável. Ela procurou preenche-lo da melhor maneira possível. Andou ruas e esquinas atrás de alguém para preenche-lo e não encontrando, descobriu que boas cervejas e boas risadas com amigos supriam, mas não acabavam com o vazio.

E se querem um bom final feliz, haverão de procurá-lo em outro conto, porque aqui vem o final: ela aprendeu a conviver com o vazio sem parecer tão louca, mas dentro do peito ele lhe consumia dia a dia. Enquanto isso, ela esperava na janela pelo causador de todo o vazio que a devastava, entretanto sem resposta.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Do eterno e sempre amor

Quando seu cheiro – vindo do céu – encosta no meu nariz de novo, milhares de reações são desencadeadas em cada pedaço de mim. Há no seu cheiro algo que me faz ter a sensação de ser completa e para sempre. Qualquer substância ali que me faz pensar em amor pela manhã de beijo morno, amor de lua cheia, amor de desejos pequenos que me fazem grande, amor de corpos cansados e sorridentes.

Maldade é meu nariz ficar sem o seu, já que ele não sabe querer outro. Maldade é o vazio em que bate meu coração, numa nota decadente que nunca chegará a ser canção sozinha. Maldade é acordar sozinha na cama gelada, sem sua respiração – aquela que me arrepia – em minha nuca. Maldade é não ter aquele abraço do meu tamanho, segurança diária que eu precisava pra viver. Maldade é minhas bochechas não ruborizarem mais porque não tem mais  estimulo dos seus olhos parados nos meus. Maldade é essa saudade enorme que eu sinto e que não tem data pra parar de sentir.

Preciso falar que eu sinto sua falta ou a tatuagem com os dizeres nas minhas costas já o bastam?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

É o abandono de não ter mais aquelas mãos. De um olhar que não mais olha pra você. O abandono de uma boca que há tempos se perdeu em outra.

De abandono, lhe entreguei meu coração e você guardou na gaveta com um monte de bugigangas.