terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dos dias atuais na cidade que não era bela

Quando o mundo todo perde a cor, como as pessoas podem cobrar um sorriso no meu rosto? Quando todos os amores estão longe, quando nada mais se encaixa, quando o coração não bate no mesmo compasso que o do ambiente, quando a sensação de sufocamento é tão constante que você pensa sinceramente em procurar um médico, é sério que ainda vão me cobrar sorrisos e doçuras?

Os dias parecem ter menos sentido conforme as horas passam, as paredes se fecham em cima de meu corpo já cansado, o ar é rarefeito naquele lugar, as horas não sabem como passar e a cada vez que o telefone toca, o coração quase para de bater.

A cidade não é bonita, nem nunca foi. As árvores aqui são menos verdes, o céu é estranho, as ruas são desiguais, as casas tão sem graça. Nada é belo. Nada me causa afeto. Nada me fará voltar pra cá depois que daqui eu sair. Será adeus, pra sempre.

O céu da cidade está sujo como boa parte dos corações daqui. As pessoas vão e vem vazias como as nuvens que não choverão por muito tempo. E há as que conseguem dar risada, mas são risadas malignas, sorrisos de quem gosta de ver o sofrimento alheio.

Mas só lhes conto: do meu sofrimento, ninguém vai rir muito tempo.

(o texto está tão desconexo quanto os pensamentos que habitam a minha cabeça).

terça-feira, 12 de julho de 2011

Descoberta

-Já acabou?
-O quê?
-Esse pesadelo horrível. Acabou?
-Mas de que pesadelo está falando? Está louco?
-Não. Está tudo fora de seu lugar, tudo está horrível, tudo é feio e cheira mal, nada tem cor, nada parece doce, monstros terríveis batem a minha porta e me ligam. É um pesadelo dos piores que existem e você está dentro dele também, só não sei quem sonha com quem.
-Ó, doce amigo. Isso que você chama de pesadelo, os outros - aqueles mesmos que te chamam de louco - chamam de vida. É assim que o mundo é, é assim que a vida está. Peço-lhe sinceras desculpas por ser eu aquele que te tira da sua loucura e te mostra que você não irá acordar do pesadelo, porque ele é realidade.
-Mas como? Isso não pode ser vida! Eu li certa vez em um livro, um livro bonito, e lá a vida não era assim, era colorida, era bonita, tinha som, cheiro e alegria.
-Poderá talvez ganhar sua cor um dia, mas o que a gente chama de vida por aqui não é isso. As estórias dos livros por muitas vezes mentem pra fazer a gente sorrir um pouco.




Ele sentou-se no canto, fechou os olhos e desejou profundamente que voltasse ao mundo como o livro lhe contou. Mas isso não aconteceu e seus olhos encheram-se de lágrimas para sempre.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Andei por todas as ruas e esquinas procurando a cor que eu perdi. Olhei-me no espelho e me assustei ao não conhecer aquele ser que me olhava de volta sem expressão, sem cor, sem vontade, quase sem alma.

A dor do coração é tão grande que já virou dor física. Doem os dedos perdidos sem toque, doem as pernas que já não sabem pra onde vão, doem os cabelos porque o vento já os abandonou. Sem esperança, sem cheiro de chuva ou de céu, sou engolida por um cotidiano sem sentido e vazio.

Passam horas, dias, meses e nada acontece, além do aumento da dor. As lágrimas já sabem o caminho certo, mas começaram a errar as horas.

De tudo isso - que é tão desconexo quanto esse texto - só ficam duas certezas: não fui feita para o amor e a cidade cansou de mim (ou será que eu cansei dela?).

quinta-feira, 26 de maio de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mentiras

Olhou no fundo da alma dela pelos olhos e disse como se suspirasse: "Eu não te amo mais". Ela ouviu, mas não absorveu a frase dele - talvez nunca viesse a absorver - continuou imóvel com aqueles grandes olhos dissimulados a fitar o rosto dele.

Ele repetiu as mesmas palavras pausadamente e com convicção. Precisava desesperadamente de uma reação dela, além daqueles olhos secos e da aparente indiferença.

Ela o encarou com doçura e como se fosse a dona do mundo, reposndeu: "Tudo bem. Eu nunca te amei".

Ele, incrédulo, ajoelhou-se aos pés dela em prantos e carregando nas mãos um coração despedaçado, gritando: "Menti, enganei-me, estava louco quando disse que o amor acabou. Sempre te amarei".

Ela soltou as mãos dele das dela que agarravam-se suplicantes, se virou e foi embora sem dizer adeus ou alguma consolo qualquer.

Ele permaneceu no mesmo lugar e chorou como se fosse morrer. Ela, ao virar a esquina, mantinha os olhos secos porque era assim que estava seu coração. E nunca mais chorou porque nunca mais viveu.





terça-feira, 5 de abril de 2011

domingo, 20 de março de 2011

Da calmaria de amar

A calmaria no coração causa estranhamento. Há tempos o coração estava bem, bem de verdade, bem no seu íntimo. Não que não houvesse amor, havia sim, mas estava longe e era tão sincero e simples.

Ela não estava acostumada à essa simplicidade e leveza de amar. Há anos alguns amores lhe pesavam o coração e a mente. Agora não, o amor lhe era sentindo no coração como primeiro raio de sol das manhãs de outono, como aquela brisa gelada do cair da tarde, como primeiro botão de rosa na primavera, como colo de quem se ama.

Agora, ela vivia a cantar com um sorriso grande no rosto como se nada a chateasse. Chateava, claro. Não tinha cheiros nem toques por perto e ela queria acordar e dormir com o cheiro dele, mas não se desesperava. Estava cheia de paciência para esperar o quanto fosse sem dores no peito por isso.