terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Já é noite novamente. O dia derramou-se como mel recém retirado e acabo de notar que hoje não me dei conta das horas que passaram sem perdão (como é natural).

O carnaval despede-se do povo todo deixando confete e serpentina espalhados no chão da rua e lembranças na mente dos foliões, tanto nos que de fato "fizeram folia" quanto esses como eu.

Amanhã haverá de amanhecer novamente. O mundo de ressaca, o céu à vomitar nauseado de vulgaridades e futilidades. A pobre terra toda suja, toda pisoteada. Mas que se vá tudo mesmo, já é tarde.

Será que ao próximo amanhecer terei novamente seu cheiro pelo quarto? Enfim, venha me visitar, mesmo que em sonho de carnaval.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pensamentos latentes, loucos. O cérebro divide-se entre as idéias novas para os velhos e os novos projetos e aquela maldita música. Não apenas uma música, uma madrugada inteira, uma eternidade de músicas.

Ah, por que carnaval? Por que tão perto de mim? Por que sou obrigada a ouvir isso?




Salvem-me!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Assustei-me. O coração tão logo bateu em disparate. Mas não, não roubaram a moto. Roubaram só o meu sossego, no lugar encontrei uma caixinha cheia de desassossego e incoerências.

Então tá, já que é o que quer, viverei cheia disso. Cheia de não conseguir parar, cheia de não conseguir dormir, cheia de sonhar com coisas vãs que só machucam, cheia de querer um pouco de tranqüilidade.

Maldito segundo de curiosidade que me levou a abrir aquela caixinha, tão bela, laço vermelho, pequena e simples. Deveria saber que nela estava tudo que me incomodava, deveria ter imaginado, deveria ter adivinhado. Não tenho, afinal, essa sensibilidade para adivinhações?

Mas deixa o dia correr e as pernas pararem de bambear por estarem ainda trêmulas. Deixa que as mãos fiquem bem e consigam escrever sem rabiscar. Deixa que a mente retome suas formas naturais para alinhar os pensamentos. Deixa que o coração bata rítmico e silencioso para que a vida possa continuar em paz.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Abri os olhos lentamente. Um raio de sol cegou-me por instantes. Era o primeiro e meus olhos estavam acostumados ao negrume da noite. O céu estava azul, tão, mas tão azul. Ainda sentia a ponta do nariz gelada pelo frio do quarto, mas as mãos já notavam o calor crescente da manhã.

Dia novo. Novo dia de aula (da vida). Novas alegrias, novos sorrisos, novas lágrimas, novas dores e obstáculos, novo céu, novo cheiro. As novidades que acompanham cada alvorecer acabam por marejar meus olhos em lágrimas.

As folhas com brandura dançam a nova dançam do vento, maestro hábil e dedicado. O vento canta, o vento comanda, o vento faz voar, o vento faz sonhar. Chego até a pensar (e quase ter certeza) de que o vento é o próprio mensageiro de Deus. Em sua sutileza o vento vem anunciando aos pequenos e medrosos seres humanos que Deus olha por eles mesmo que eles não olhem mais por Deus.

E assim, na simplicidade do alvorecer termino mais uma prece e começo mais um dia, desses que sabe-se como começam, mas jamais que surpresas (boas ou ruins) aparecerão com o passar das horas até a noite.

Logo, sem que o mundo (inclusive eu) tome conhecimento já será uma nova madrugada e cá estarei novamente frente a mesma tela com a mente fervilhando pensamentos, palavras, idéias. Pouco a pouco esvaziarei minha mente até que ela seja nula de pensamentos, nula de cor, nula de tudo e só exista o que é eterno.

Já dizia Cecília Meireles, querida minha:
O vento do meu espírito
soprou sobre a vida.
E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que és eterno...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Hoje contei os pingos de chuva por puro capricho. Por horas e horas notei o céu cinza que tão logo (e talvez fosse eu que não estivesse prestando atenção) transformou-se em céu azul, com sol amarelo e chuva fina e calma.

Ao iniciar-se essa nova coloração no céu, vi nascer em meu jardim um arco-íris. Não resisti, escalei correndo todo o arco-íris, e ao chegar ao ponto mais alto, escorreguei com as mãos para o alto, fazendo desenhos nas nuvens acima de minha cabeça.

Chegando no final do arco-íris, não encontrei o pote de ouro dos duendes, nem eles eu encontrei. Encontrei um mundo todo feito em nuvens multicoloridas. Lá no alto via-se o sol brilhando e seus raios penetrando cada pedacinho de nuvem com um tom de cor diferente.

Encontrei rosas feitas de nuvens e por muito pouco a curiosidade não me fez destruir algumas ao tentar colhe-las.

Mas o que de mais chocante encontrei foi aquele ser olhando para mim e docemente caminhando em minha direção. CAminhei até ele também. Ao nos encontrarmos nos abraçamos fortemente como quem mata a saudade de um longo tempo separado, deitamos nas nuvens e ficamos olhar a escada em espiral que construía-se até o sol, a visão era maravilhosa, a sensação é de que poderíamos passar o resto de nossas vidas ali, de mãos dadas olhando para o sol.

Porém a alegria não haveria de durar muito. Uma nuvem negra apareceu e acabou em instantes com o lento trabalho da escada em espiral, fechou o sol, tudo escureceu rapidamente. As nuvens onde estávamos deitados se abriram e caímos por muito tempo, tanto que pareceu ser eterno.
Mas tínhamos destino certo - e nem sabíamos -, eu caí de volta à Terra, ele foi-se para um planeta distante.

O destino deixou que nos enamorássemos para depois tirar-nos um do outro com crueldade digna da idade média. E assim desenhou-se a estória trágica, contada por muitos séculos naqueles mesmos desenhos de nuvem e sol que outrora eles dois observavam. Agora estavam separados para sempre.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Fiz um poema pra você. Quente como o raio de sol que me acordou daquele sonho delicioso que tive (com você) naquela noite. O poema não fala sobre o sonho, nem sobre a última vez que lhe vi ou lhe beijei, mas sim, sobre o desejo incontrolável que ficou claro no sonho.

Estranho quando descobrimos através de sonho um desejo escondido ou não declarado. E quão grande é o desejo; desejo da tua carne, da tua pele alva, da tua boca rósea, das tuas palavras nos meus ouvidos, da madrugada esquecendo-nos, de ver o sol nascer deitada nos teus braços.

Mas não vou lhe mostrar o poema, nem o que minha luxúria espera de você. Espero suas palavras iniciais ou terei que esquecer da luxúria, do desejo e do prazer (que ainda não tenho) por enquanto. Apenas creia, não os posso entregar para mais ninguém, são teus e só teus.

Conte-me: gosta de poemas?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O ano recomeçou cansado de recomeçar. Os mesmos fogos, os mesmos abraços, a mesma chuva, os mesmos desejos, os mesmos encantos, as mesmas tentativas de felicidade.

O ano cansou-se dos mesmos problemas, das mesmas desilusões, dos mesmos (des)amores, das mesmas paixões sem fundamento, dos mesmos sorrisos amarelados, dos mesmos abraços gélidos como a neve, dos mesmos beijos sem carinho, sonhos sem esperança, noites sem companhia, palavras sem cor.

Já não sei mais se foi o ano que cansou-se de mim ou eu dele. Talvez - ao longo dos anos - eu tenha perdido o significado de renovação que tem a passagem de ano. Talvez porque eu me renove diariamente. Talvez porque simbologia não seja minha preferência.

Enfim, brinde de feliz ano novo aos que se renovaram e outro brinde para o mundo que recomeça já cansado.