Ela sentiu o coração despedaçar, cada pedaço caia ao chão seco de tristeza. Sentiu a voz ficando fina e falha. Não queria chorar, não queria mais chorar pelo mesmo motivo, não queria mais ter esse motivo, não queria mais ter coração. Mas as lágrimas escorriam-lhe o rosto sem que ela pudesse evitar. Quentes, queimavam os olhos, bochechas e pescoço. Acabavam de queimar o resto de coração que se despedaçava em velocidade ainda maior agora.
Sentiu o ar ficando falho e, não fossem as pessoas que ainda eram importantes e moravam naquele coração em frangalhos, teria desejado não mais respirar. Porém, não era tão covarde assim a esse ponto. Não queria fugir de nada e ao mesmo tempo queria fugir de tudo.
Sonhava com aquele velho mundo bonito no qual sempre se escondia, só que dessa vez, parecia que as portas estavam fechadas. Tinha que ter sonho e coração para entrar no mundo encantado e nesse momento, seu coração estava ao seus pés e os sonhos tinham todos morrido por falta de cor.
Secou as lágrimas, esboçou um sorriso. Não conseguiu. Tamanha falsidade não era de seu feitio. Procurou distração em vão. Pensou em dormir, não conseguiu. Quis gritar, não tinha voz nenhuma. Quis conforto, não tinha.
Lembrou que tinha que continuar vivendo. Seca ou não. Dolorida ou não. Sem sorriso ou com. A vida ainda estava ali na sua frente e os seus queridos, ainda precisavam de tudo que agora não tinha. Precisava ser forte, precisava ser alegra, precisava rápido.
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sábado, 2 de junho de 2012
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Do fim
Ela fez as malas. Desfez os sonhos deles. Largou o sorriso largo em cima da cama. Escorreu as lágrimas até a porta. Levou o cheiro dele no cabelo desarrumado. Lentamente abriu a porta. Não olhou pra trás. Não olhou para os lados. Não olhou. Fechou os olhos e suspirou. Partiu como quem nunca volta - porque nunca chegou deveras.
Ele olhou a cena atentamente. Quis correr, mas os pés estavam imóveis. Quis abraçá-la, mas os braços não alcançavam. Acendeu um cigarro e observou. Olhou os cabelos nas costas dela desgrenhados. A blusa desarrumada, colocada às pressas. Sentiu que a ponta do cigarro aceso queimava-lhe o coração. Sentiu pena. Sentiu dor. Sentiu nojo de si mesmo.
Ela saiu andando lentamente. Trazia o coração dilacerado no peito. Não pensou. Quisera nunca ter amado. Pensou em acabar com a vida. Sentou-se num bar. Bebeu. Chorou como criança que perdeu-se dos pais no circo. Paralizou-se de medo da vida sem ele. Mas não ía voltar. Nunca.
Ele observou a porta sendo fechada. Observou o vazio que tomou a casa de repente. Sentou-se no chão. Acariciou o pêlo do cachorro com desdém. Pensou em sair pra procurá-la. Desistiu em seguida. Sentou-se no chão. Chorou por horas. O coração tinha a dor mais lancinante que já havia sentido. Não ía mais amar. Nunca.
E isso não era uma maldição jogada sobre os dois. Era apenas orgulho de ambos. E o amor, assim, definhará aos poucos, até nunca mais existir.
Ele olhou a cena atentamente. Quis correr, mas os pés estavam imóveis. Quis abraçá-la, mas os braços não alcançavam. Acendeu um cigarro e observou. Olhou os cabelos nas costas dela desgrenhados. A blusa desarrumada, colocada às pressas. Sentiu que a ponta do cigarro aceso queimava-lhe o coração. Sentiu pena. Sentiu dor. Sentiu nojo de si mesmo.
Ela saiu andando lentamente. Trazia o coração dilacerado no peito. Não pensou. Quisera nunca ter amado. Pensou em acabar com a vida. Sentou-se num bar. Bebeu. Chorou como criança que perdeu-se dos pais no circo. Paralizou-se de medo da vida sem ele. Mas não ía voltar. Nunca.
Ele observou a porta sendo fechada. Observou o vazio que tomou a casa de repente. Sentou-se no chão. Acariciou o pêlo do cachorro com desdém. Pensou em sair pra procurá-la. Desistiu em seguida. Sentou-se no chão. Chorou por horas. O coração tinha a dor mais lancinante que já havia sentido. Não ía mais amar. Nunca.
E isso não era uma maldição jogada sobre os dois. Era apenas orgulho de ambos. E o amor, assim, definhará aos poucos, até nunca mais existir.
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