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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Esperas

Era uma noite bonita como há tempos não se via. A lua laranja e partida no céu como vergamota que se reparte com os amigos - em gomos - em meio a um negrume qual quarto de dormir quando oferece medo.

A menina olhava tudo com precisão. Nenhum movimento das nuvens era demais aos seus olhos. Nenhum. Mas estava deveras parada, como se o belo céu não  lhe fizesse diferença. Que havia com aquela menina não maravilhada com tamanha beleza?

Ela permanecia imóvel, com seus pensamentos em algum lugar de Saturno. Estava vazia ao mundo, alheia a tudo.

Ela pensava em pessoas distantes e em todo amor que sentia por elas, pensava em belos mundos onde pudesse habitar, pensava em girassóis, em arco-iris, em toda a cor que agora não tinha, pensava em braços que a abraçavam como se a proteção de todos os males fosse essa e mais do que a utopia, pensava em conversas de por-do-sol e de acordar a lua.

Mas alguém muito distante resolveu quebrar-lhe o real. Acabou com as conversas de amanhecer e de adormecer e ela ficou ali a esperar.

E há quem diga que nisso ela perdeu o amor. Há quem diga que ela só perdeu a esperança. Há quem diga que ela perdeu o sonho. Há quem diga que ela nunca mais dormiu. Há quem diga que ela espera uma volta. Há quem diga que ela morreu. Há quem diga que ela perdeu.

Mas há quem diga, que desde então, ela amou mais. E de um jeito tão lindo que outro amor nunca mais chegou. Há quem diga que ela chorou, mas ficou a esperar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Do fim

Ela fez as malas. Desfez os sonhos deles. Largou o sorriso largo em cima da cama. Escorreu as lágrimas até a porta. Levou o cheiro dele no cabelo desarrumado. Lentamente abriu a porta. Não olhou pra trás. Não olhou para os lados. Não olhou. Fechou os olhos e suspirou. Partiu como quem nunca volta - porque nunca chegou deveras.

Ele olhou a cena atentamente. Quis correr, mas os pés estavam imóveis. Quis abraçá-la, mas os braços não alcançavam. Acendeu um cigarro e observou. Olhou os cabelos nas costas dela desgrenhados. A blusa desarrumada, colocada às pressas. Sentiu que a ponta do cigarro aceso queimava-lhe o coração. Sentiu pena. Sentiu dor. Sentiu nojo de si mesmo.

Ela saiu andando lentamente. Trazia o coração dilacerado no peito. Não pensou. Quisera nunca ter amado. Pensou em acabar com a vida. Sentou-se num bar. Bebeu. Chorou como criança que perdeu-se dos pais no circo. Paralizou-se de medo da vida sem ele. Mas não ía voltar. Nunca.

Ele observou a porta sendo fechada. Observou o vazio que tomou a casa de repente. Sentou-se no chão. Acariciou o pêlo do cachorro com desdém. Pensou em sair pra procurá-la. Desistiu em seguida. Sentou-se no chão. Chorou por horas. O coração tinha a dor mais lancinante que já havia sentido. Não ía mais amar. Nunca.

E isso não era uma maldição jogada sobre os dois. Era apenas orgulho de ambos. E o amor, assim, definhará aos poucos, até nunca mais existir.

sábado, 31 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Poema do dia

Acordei. Ainda estava frio.
Tomei café. Amargo.
O sol sorriu pra mim.
Senti saudade sua.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

- Então você pode cantar para eu dormir, mas não pode ficar do meu lado enquanto eu durmo? É isso?

- É, faço-lhe dormir com todo amor que tenho, mas assim que pegar no sono, partirei e não sei quando regresso.

- Certo! Ficarei acordada durante toda a noite. Terei os olhos pesados e cansados pela manhã, mas lhe terei ao meu lado.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Livros espalhados por todo o chão do quarto. Infinidade de letras, pensamentos, teorias, amores, guerras e estórias. Apanho um sem nem ao menos ligar para o título. Não é o que eu estava lendo. Leio alguns trechos, nada. Tento outro, poesia. Leio uma estrofe qualquer sem notar que comecei pelo meio do poema. Arrepios, saliva na boca aumentando, mãos trêmulas. Não é o livro, não. É a recordação que ele carrega. Sinto seus poros nos meus dedos, seu cheiro espalhado no meu sexo, sua boca grudada na minha. Fecho os olhos, deliro, calo-me pra sentir sua pele branca na minha. O mundo lá fora já não tem mais tempo, não tem mais cor, não tem mais desejo. Está tudo aqui entre meus dedos e aquelas letras, entre meus sonhos e sua chegada, entre meu desejo e as palavras que sussurra no meu ouvido, entre o amor que lhe dou e o que me retribui, entre o meu desejo e o seu me chamar de sua bitch, entre o sexo até adormecer e o ao acordar, entre a madrugada que passo virando na cama procurando seu cheiro e aquela que você esperou acordado que eu adentrasse a porta. E você está longe. Descubro. Contorço-me, morro de dores sem origem certa, caio no profundo tédio e solidão, mãos gélidas como o vento lá fora, sem calor humano, sem seu calor tão bom, sem seu abraço do meu tamanho.

Uma coisa pra você, meu bem: seu lugar na minha cama ainda está guardado.

quarta-feira, 9 de junho de 2010


O coração bate trêmulo, descompassado de pura e original solidão. A mente é inebriada por uma sensação de perda extraordinária.
Mas o que haveria de ter perdido se nunca nem ao menos o teve? Ele sempre foi ilusão e ela fora avisada pelos lábios dele disso. Mas como ele é malvado, contou-a quando ela já estava envolvida até os fios de cabelo, quando o coração dela já batia no compasso da respiração dele.
E quis ser doce e quis não machucá-la e fez tudo, tudo errado, com a melhor das intenções. Seria doce se ela nem o conhecesse, se ele nunca a tivesse pedido em casamento, se nunca tivessem se envolvido, se ele não esperasse anos e anos para contar que a enganara desde remotos tempos.
Ela estava em estado de torpor, mal respirava. A única coisa que compreendia do que lhe acontecia à volta era a dor lancinante que sentia no coração acuado. Não falava, não pensava, não entendia o porquê da dor, não entendia o porquê do ciúme, não entendia em que momento da vida passou a amá-lo (nunca lhe sentira o cheiro, poderia nunca amá-lo tranquilamente).
Mas ela sempre gostou do impossível e desconhecido, enjoava-se fácil do que lhe era conhecido em demasiado e simples.
A dor dele sempre fora dela. E agora, haveria de aprender a conviver com a solidão que lhe apertava o coração e o deixava com um vazio de doer.